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V. Franca de Xira


Vila Franca de Xira é um município português no Distrito de Lisboa, pertencente à Área Metropolitana de Lisboa. Fica situada na província tradicional do Ribatejo.
A localização do território de Vila Franca de Xira na planície hidrográfica do Tejo levou a que esta área não ficasse alheia à romanização, podendo falar-se não só em presença romana - comprovada pela existência de achados dispersos na quase totalidade das freguesias, mas também de ocupação romana, nomeadamente em Povos.

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Monumentos


Romanização

A localização do território de Vila Franca de Xira na planície hidrográfica do Tejo levou a que esta área não ficasse alheia à romanização, podendo falar-se não só em presença romana - comprovada pela existência de achados dispersos na quase totalidade das freguesias, mas também de ocupação romana, nomeadamente em Povos.

Favoravelmente condicionada pela sua situação geográfica, a região de Vila Franca foi, na época, atravessada pela principal via terrestre de acesso a Lisboa (Olisipo) que, em Alverca, se bifurcava: seguia uma pelo vale de Vialonga para Santo Antão do Tojal e Loures e a outra ladeava o rio na direcção da Póvoa de Santa Iria. O rio era, no entanto, a grande via navegável por onde chegavam e se escoavam os produtos.

A comprová-lo, o conjunto de ânforas que têm sido encontradas por pescadores no leito do Tejo, nomeadamente junto aos mouchões de Alhandra e da Póvoa, e que denunciam a intensa actividade comercial romana. Transportadas nos porões dos navios, as ânforas continham produtos como o vinho, o azeite, os cereais e as conservas de peixe.

Também lápides funerárias epigrafadas, existentes em várias freguesias do concelho, testemunham a presença romana. Dedicadas aos deuses Manes são as lápides epigrafadas provenientes do monte do Senhor da Boa Morte (Vila Franca de Xira), da Póvoa de Santa Iria e de São Romão (São João dos Montes). Em Alverca (Bom Sucesso) foi encontrada uma outra lápide funerária que se encontrava deslocado do primitivo contexto.

Tempo de Mudança

A chegada do comboio em 1856, no âmbito da abertura do primeiro troço de linha férrea do país - de Lisboa ao Carregado - marcou o início de um novo período no desenvolvimento da região.
Em Vila Franca de Xira, no virar de século instalou-se a moagem industrial e ainda uma fábrica de cintas. A Alverca chegou em 1918 o Parque de Material Aeronáutico que originaria a atual OGMA - Indústria Aeronáutica de Portugal, e que, pela sua dimensão de implantação, haveria de condicionar o ordenamento futuro da vila.

Contemporâneo da industrialização, foi um forte movimento cultural e associativo que se desenrolou no concelho na segunda metade do século XIX e que se viria a repercutir até à actualidade. Em 1870 era criada a Filarmónica 1.º de Dezembro em Vila Franca de Xira. Do Grupo Ocarinista de Vila Franca (1886), evoluído em 1891 para Fanfarra 1.º de Maio, haveria de surgir mais tarde a actual associação Ateneu Artístico Vilafranquense. Em 1905 era inaugurado em Alhandra o Teatro Salvador Marques.

Testemunhas directas das mudanças ocorridas no concelho de Vila Franca de Xira a partir de meados deste século, e delas dando conta em obras de ficção que marcaram a literatura portuguesa, foram os escritores Alves Redol e Soeiro Pereira Gomes. Em Vila Franca de Xira ocorreu mesmo nos anos 30 e 40 uma movimentação cultural forte, aglutinada por Redol, e conhecida como o grupo neo-realista de Vila Franca. Tanto Redol como Soeiro envolveram-se directamente na vida cultural local estimulando e liderando iniciativas teatrais e artísticas.

Populações com diversíssimas origens povoam hoje o actual concelho de Vila Franca de Xira. Temos de recuar ao século XIX, e mesmo ao século XVIII, para encontrar os primeiros migrantes. Eram pescadores da costa atlântica norte, oriundos de Ovar, Murtosa e Estarreja que vieram em busca de melhor faina e que nestas terras do sul ficaram conhecidos por varinos. Da pesca, tendo passado para a actividade comercial, misturaram-se os varinos com a população vilafranquense, da qual fazem hoje parte integrante. Também desde o século XIX, mas sobretudo a partir de meados do século XX, chegaram ao Tejo outros pescadores atlânticos, desta vez provenientes da praia de Vieira de Leiria. Conhecidos por Avieiros, as suas comunidades destacam-se ainda hoje na paisagem ribeirinha da Póvoa de Santa Iria, Alhandra e Vila Franca. Os migrantes da era industrial vieram um pouco de todo o país, com especial incidência para as proveniências do alto Ribatejo, Alentejo, Beiras e, com menos expressividade, Trás-os-Montes. A estes novos operários viriam juntar-se nos anos mais recentes trabalhadores de serviços e jovens oriundos da capital, arrastados na expansão desta até à periferia. Numa segunda vaga é de acrescentar os emigrantes oriundos das ex-colónias portuguesas que abandonam os respectivos países, no rescaldo da guerra nos anos 80 e 90 do Séc. XX, em busca de melhores condições de Vida. Na viragem de século, destacam-se os emigrantes de outros países, com grande evidência para os países de leste, que após o desmembramento da União Soviética e o término da "guerra fria", na procura mais qualidade de vida, se deslocam para o sul da Europa.

Primeira metade do Século XIX

No início do século XIX toda a região foi abalada pelas invasões francesas. Uma vez mais, a localização estratégica da área foi posta em relevo na construção do sistema defensivo, construído em grande sigilo entre 1810-1812, para fazer face ao invasor francês que se iniciava neste concelho e que haveria de ficar conhecido por linhas de Torres Vedras.

Outro acontecimento nacional ficou inexoravelmente ligado ao nome de Vila Franca nos conturbados tempos que acompanharam a instauração do liberalismo em Portugal. Tratou-se da Vilafrancada, golpe de estado comandado por D. Miguel que decorreu de 27 de Maio a 3 de Junho de 1823 em Vila Franca de Xira, onde se instalaram, primeiro, D. Miguel e um regimento e depois toda a guarnição e o próprio rei D. João VI. A este golpe esteve ligado também outro personagem relacionado com a região de Vila Franca de Xira, o 1.º conde de Subserra, de seu nome Manuel Inácio Martins Pamplona Corte-Real, nomeado ministro da guerra após a Vilafrancada, mas caído em desgraça logo no ano seguinte, aquando da Abrilada.

Foi no século XIX que tomou forma administrativa o concelho de Vila Franca de Xira, tal como hoje o conhecemos, no quadro do reordenamento geral dos municípios promovido pelo regime liberal.

Sucessivamente, foram extintos os velhos concelhos existentes na região e que tinham todos raízes medievais: em 1836 deu-se a extinção do concelho de Povos e no ano seguinte desapareceu o de Castanheira. Em 1855 a reforma varreu os concelhos de Alhandra e de Alverca, passando doravante Vila Franca de Xira a integrar toda esta área administrativa. Em 1886, com a extinção do concelho dos Olivais, a freguesia de Vialonga passou para o concelho de Vila Franca e, finalmente, já no século XX, em 1926, a freguesia de Póvoa de Santa Iria foi também anexada alargando para sul a área do município.

Cultura

O Concelho de Vila Franca de Xira tem hoje uma oferta cultural intensa, diversificada e de qualidade, fruto não apenas do trabalho do Município na promoção direta de iniciativas, como também do inestimável labor dos agentes culturais locais, nossos parceiros de excelência, e de outras parcerias que temos vindo a estabelecer com agentes da cultura de âmbito nacional. A “Bienal de Fotografia” e o “Cartoon Xira” são bons exemplos de iniciativas consolidadas, que há muito extrapolaram o âmbito local e se souberam afirmar no panorama da Cultura nacional, como ofertas únicas, de qualidade e referência.

A nível dos Equipamentos, não podemos deixar de destacar o Museu do Neo-Realismo e a Fábrica das Palavras, que, muito para além da sua função primordial – museu e biblioteca -, se afirmam como verdadeiros Centros Culturais, polos de dinâmica, reflexão e fruição, modernos e virados para a comunidade.

Um bom exemplo da ação que o Município tem vindo a exercer ao longo dos anos a nível da formação de públicos e educação para a Arte, é o “Palácio para os Pequeninos”, iniciativa com mais de uma década de existência ininterrupta, que continua a ser uma referência a nível da oferta cultural, lúdica, educativa e divertida, para os mais pequenos.

Cronologia

A extinção dos concelhos de Povos (1836), Castanheira do Ribatejo (1837), Alhandra (1855) e Alverca (1855) e a sua integração no concelho de Vila Franca de Xira representou a transferência dos respetivos arquivos e de alguns arquivos da administração central desconcentrada para a Câmara Municipal de Vila Franca de Xira.

1841 – 26 de março, os secretários das Câmaras Municipais foram proibidos de conservar nas suas casas os respetivos cartórios, devendo ser recolhidos nos arquivos municipais, o que se supõe ter tido consequências nas câmaras do nosso território.

1847 – 8 de novembro, foi determinado que as câmaras municipais criassem os seus “Anais do Município”, onde “anualmente se consignem os acontecimentos e os factos mais importantes que ocorrerem, e cuja memória seja digna de conservar-se”. As atas das sessões da Câmara da segunda metade do século XXI expressam várias vezes preocupação acerca do “archivo municipal” e a vontade de preservar a documentação, dado que se encontrava num estado de confusão, “um montão de papéis”, escrevia-se.

1957 – 15 de Janeiro de a documentação estava numa casa arrendada pela Câmara, situada na Rua Armando. Estando “a deteriorar-se pelo facto daquele imóvel não possuir as condições necessárias para o efeito”, foi deliberado em ata de reunião ordinária “ordenar a transferência de parte ainda aproveitável (…) de livros, documentação e demais papéis existentes no referido arquivo para o prédio que possui na Avenida Pedro Victor.”

1960 – 25 de Outubro procedeu-se ao arrendamento do “segundo andar esquerdo e o primeiro andar direito do prédio do senhor José Horta com entrada pelo número quatro da Praça Afonso de Albuquerque, a partir do mês de Novembro” desse ano, espaço confinante com o edifício dos Paços do Concelho. Tal procedimento foi necessário por não existir espaço para o “arquivo dos documentos, livros e demais papéis da Secretaria” e porque o antigo armazém da Rua Armando estava a ser utilizado como oficina da Escola Industrial e Comercial de Vila Franca de Xira.

1978 – A Câmara Municipal arrendou o edifício do atual Arquivo Municipal, sito na Rua Prof. Reynaldo dos Santos (antiga Rua do Hospital Civil), em Vila Franca de Xira. Trata-se de um armazém construído em 1936 e que funcionou durante décadas como celeiro. Uma vez arrendado pela Câmara Municipal, foi adaptado para arquivo e ao longo dos anos 80 e 90 foram sendo transferidas para estas instalações as unidades documentais que se encontravam dispersas por vários edifícios.

1993 – 21 de outubro o arquivo municipal abriu oficialmente ao público nas atuais instalações. Mas, como os arquivos não para de crescer, logo em 1999 se verificou que as instalações do Arquivo começavam a ser insuficientes. .

2004 – Março de, com a entrada em vigor de um novo Regulamento Orgânico da Câmara Municipal, foi criada a Divisão de Arquivo Municipal, numa perspetiva de valorização da gestão integrada da documentação de arquivo.

2013 – Com a entrada em vigor de um novo Regulamento Orgânico da Câmara Municipal, foi criada a Divisão de Bibliotecas e Documentação, que sucedeu à Divisão de Arquivo Municipal e passou a assumir a gestão do arquivo municipal. A esta Divisão de Bibliotecas e Documentação sucedeu, ao abrigo do atual Regulamento Orgânico da Câmara Municipal, de julho de 2018, a Divisão de Bibliotecas e Arquivo, na qual se insere a gestão do arquivo municipal

Alhandra

Vialonga

Castanheira
do
Ribatejo